TV na Educação > O trabalho com TV na escola
A televisão pode ser trabalhada na escola como objeto de estudo ou como meio para o estudo de temas relacionados aos conteúdos contemplados no currículo.
No primeiro caso, são conteúdos de estudo aqueles que dizem respeito à linguagem televisiva e aos processos de produção, transmissão e recepção da sua programação. No segundo caso, a partir de conteúdos da programação televisiva, o professor estimula a reflexão e a construção de conhecimentos sobre determinado tema tratado direta ou indiretamente pelo programa retirado da TV.
Certamente, nos estudos sobre TV como meio de comunicação é necessário que o professor perceba a adequação e o nível da abordagem, de acordo com o perfil de seus alunos (faixa etária, ano escolar, conhecimento prévio para a reflexão sobre discursos e técnicas utilizados pela TV etc.) e com os objetivos do estudo para a formação dos alunos.
Embora esses cuidados sejam importantes, cabe destacar que “entender” a TV também faz parte do conteúdo a ser considerado pelo currículo escolar e, na maior parte das vezes, essa dimensão pode ser trabalhada indiretamente, ou seja, como conseqüência das atividades de reflexão sobre temas do currículo presentes na TV, tais como meio ambiente, sociedade, fatos históricos, biologia, matemática e assim por diante.
Naturalmente, no Ensino Fundamental é mais fácil para o educador a segunda situação, embora ela possa ser aplicada também no Ensino Médio.
Por isso, é importante perceber que se trata de um processo paulatino, tanto para o professor quanto para os alunos, de construção desse caminho de educação para os meios, partindo-se de uma abordagem quase “conteudista” sobre a programação televisiva para uma abordagem mais ampla, complexa e reflexiva em que elementos da linguagem televisiva , como enquadramentos, cores e sons, edições, gêneros televisivos, dentre outros, vão se constituindo em informações percebidas e entendidas por meio das atividades e dinâmicas propostas pelo professor.
É importante que o professor inicie as atividades com a utilização da programação televisiva tendo esta visão ampla sobre as possibilidades de estudo, mesmo que seus objetivos e abordagens sejam simples e limitados inicialmente.
Debater com os alunos sobre determinada notícia veiculada pelo telejornal, ou discutir sobre as ações de uma personagem em destaque de uma novela, pode representar a importante etapa de despertar nos alunos a reflexão sobre as relações entre ficção e realidade, bem como sobre a “edição” dos fatos reais, tão comuns na atuação dos meios de comunicação. Isto já representará a promoção entre os alunos de uma consciência mais crítica sobre a programação televisiva, sua produção e seus objetivos.
Entretanto, e considerando o processo educativo no Ensino Médio, podemos partir da observação de determinados gêneros televisivos e de alguns temas abordados por eles, tomando como base as possíveis relações entre seus conteúdos e os temas a serem trabalhos em sala de aula, conforme o currículo e o planejamento pedagógico.
Também com esta postura, o professor deve considerar a cultura televisiva de seus alunos, ou seja, conhecer mais sobre o que eles assistem, quais suas preferências e em que ambientes costumam assistir à televisão.
Desta forma, além de conhecer melhor os alunos, o professor pode conhecer um pouco mais sobre a programação televisiva assistida pelos alunos, para estudar suas possibilidades de uso em atividades didáticas que promovam o desenvolvimento de determinados conhecimentos já previstos em seu planejamento.
Assim, o professor contará, de início, com o interesse e a motivação de seus alunos para as atividades a serem propostas, e despertará neles a percepção sobre relações ainda desconhecidas.
Além disso, é importante para o professor planejar diferentes abordagens sobre a programação televisiva e o uso de vídeo nas aulas, e conhecer de que forma o uso desses recursos tecnológicos pode ser útil.
Tomamos por base o texto O Vídeo na Sala de Aula, do professor José Manuel Morán:
• Para a sensibilização dos alunos em relação ao tema a ser introduzido e desenvolvido por meio de seqüência didática.
• Para ilustrar algo que esteja em estudo, colaborando para a compreensão a respeito e no processo de construção de conhecimentos.
• Para a simulação de situações que, inúmeras vezes, são difíceis, se não impossíveis, de acontecer no ambiente escolar ou de sala de aula, tais como experiências químicas, físicas, biológicas etc.
• Como conteúdo, ao considerar um tema como enredo do programa, de forma direta ou indireta, ou seja, explicita ou implicitamente, permitindo ao professor e aos alunos a construção de conhecimentos sobre o tema.
• Como produção, ao documentar eventos como aulas, ao realizar entrevistas, dentre outros; ou como releitura de determinados programas já veiculados pela televisão por meio de paródias, imitação/transformação, etc.; ou, ainda, como forma de expressão de alunos e professores, promovendo diversas habilidades, tais como a linguagem (escrita e oral), a organização, o trabalho em grupo, dentre outras.
• Produção resultante de um processo para compor a avaliação dos alunos, do professor e do grupo sobre um determinado conteúdo ou sobre procedimentos realizados.
Alguns desses procedimentos serão utilizados nas propostas de atividades de 1o. ao 4o. anos, atividades de 5o. ao 9o. anos, e atividades para Ensino Médio.
Texto original: Claudemir Edson Viana
Edição: Equipe EducaRede